quinta-feira, 29 de maio de 2014

A fúria de Lidie


Agosto de 2013

     Toda a família Marchesi saiu para um passeio e ficamos apenas Wili e eu. Fomos para o quarto (a casa era a da minha avó dessa vez, portanto, em "Nova Alvorada"). Wili se deitou na cama para dormir e eu me sentei para ver TV. Antes de Wili dormir, eu deitei ao lado dele e o ninei como se ele fosse um bebê. No entanto, antes que Wili pudesse adormecer, ouvimos uma série de choros femininos que vinham do outro lado das janelas. E era assustador ouvir aqueles choros demoníacos - No meio daquele choro desesperado, consegui distinguir alguns risos de deboche, como se alguém estivesse se divertindo ou vendo as ninfas desesperadas ou com o meu medo - . Wili e eu deduzimos que quem estava chorando eram as ninfas. E corremos para verificar se toda a casa estava trancada. Trancamos algumas janelas e portas. E quando fomos verificar o outro quarto, a janela estava fechada, mas algumas vozes vindas do lado de fora disseram algo sem sentido sobre ter algo muito estranho com a janela. Ignorei isso. E corri para a sala com Wili. A porta estava aberta. Apanhamos umas barras de ferro e fomos para a varanda. Não nos sentíamos seguros para ir para o quintal ou para o jardim por causa das plantas. E uma coisa de forma feminina passou pela varanda correndo tão rápido quanto o vento. Decidi seguir aquela coisa e fui para o quintal. As plantas começaram a se agitar como se estivesse ventando e as ninfas sussurraram entre si. Eram muitas. Eu disse a mim mesma que não iria vê-las e elas se manifestaram de forma invisível (quase neutra). Então corri para o jardim e quando senti que tinha uma ninfa perto o bastante, disse que agora eu podia vê-las e a suposta ninfa se fez visível. Ela era mais baixa do que eu podia imaginar, quase do tamanho do Wili. Mas nem por isso era inofencível.  Wili e eu a cercamos com as barras de ferro. Ela estava agitada e zangada, como um diabrete.
     Wili estava prestes a golpeá-la com a barra de ferro quando eu pedi a ele para parar e disse a suposta ninfa que não queria machucá-la. Apenas queria conversar com ela. Ela não acreditou muito. Perguntei a ela o  que ela queria e disse-lhe que o Wili (que eu acreditava ser na verdade, o meu irmão caçula) não tinha nada haver com aquilo. Que se elas tivessem que fazer mal a alguém, que o fizesse a mim porque eu era a única quem tinha invocado elas e os elfos. A suposta ninfa disse que Wili (não disse o nome dele. Se referiu a ele de maneira informal) tinha tudo haver e que aquilo era por causa dele. E eu afastei Wili dela e me coloquei a frente dele para protegê-lo.  A ninfa queria fugir, mas alguém invisível parecia segurá-la pelos braços. Enquanto a tal ninfa (não tenho absoluta certeza de que realmente seja uma ninfa)  falava, eu pensei em matá-la com aquela barra de ferro. Estava tão próxima a ela que se a golpeasse agora e com precisão, poderia matá-la. Mas decidi poupá-la e apenas conversar com ela. Enquanto conversávamos, ela foi se acalmando e assumindo uma personalidade mais serena. Logo, ela estava sentada ao meu lado em algum tipo de banco que não sei de onde surgiu e me mostrou o que parecia ser sua verdadeira forma; uma garota morena, com cabelos longos, negros e lisos (iguais aos da Leticia, uma amiga de infância). Ela era semelhante a minha amiga de infância, Leticia. E seus olhos eram castanho-escuros, levemente puxados (como se ela fosse indígena). Seus cabelos eram muito bonitos e estavam presos em um rabo de cavalo. Seu vestido branco com faixa rosa marcando a cintura (que lembra um vestido de boneca) se converteu em roupas modernas; uma regata blusa verde estampada e uma saia ou short preto. Ela sorria e me encara bem fundo nos olhos de um jeito estranho, como se tentasse penetrar minha mente e/ou meus pensamentos. Ela queria se mostrar a mim e fazia questão que eu reparasse nela, que soubesse quem de fato ela realmente era.
     Perguntei a ela se ela sabia qual era a árvore ou planta de Gaion e tentei convencê-la de que não queria matar Gaion, queria apenas saber onde ela morava. A tal ninfa que me disse se chamar Lídia ou Lidie não acreditou muito em mim e disse que não sabia onde Gaion morava e que nem a conhecia.
Eu pedi a Lídia que tentasse absorver minhas lembranças para descobrir. Segurei a mão dela. Senti uma grande paz tomar conta de mim e uma luz branca foi a última coisa que vi antes de cair e adormecer.

   Quando acordei (dentro do sonho), estava na cama e Heather estava dobrando as cobertas da outra cama. Contei a ela tudo o que eu havia sonhado. Ela não demonstrou muito interesse, mas também não demonstrou desinteresse. Parecia já saber de tudo ou estava muito ocupada. Cheia de afazeres.

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